Versão 4.4: vivendo a eterna versão Beta de mim

44 anos.
26 de outubro de 2025.

Quem imaginaria que, aos 44, eu estaria aqui, nesse momento, em Portugal, depois de uma superaventura de dois anos morando em quatro países, 15 mudanças de casa, muitas viagens e um novo horizonte que se abriu pra mim?

Muita gente acredita que, depois dos 40, a gente já viveu tudo o que tinha pra viver em termos de aventuras. Que o tempo de ousar, de experimentar, já passou. Que isso são coisas de adolescente.

Talvez eu me sinta uma eterna adolescente. Mas talvez não.

A adolescência é um período de dúvidas, descobertas e inseguranças. E, embora a dúvida nunca vá embora, depois dos 40 ela muda de lugar. As incertezas não são mais sobre quem eu sou, e sim sobre tudo o que ainda posso ser.

Porque a verdade é que quanto mais amadureço, menos certezas tenho. E aprendi que isso é bom. Porque ser adulto é aprender a dançar com as incertezas.

Hoje, sinto que vivo de forma unapologetic. Não sei traduzir perfeitamente essa palavra para o português, talvez “sem pedir desculpas por ser quem sou” seja o mais próximo da realidade. Que pena não termos uma expressão para isso! Tão lindo ser unapologetic.

Depois dos 40, a gente fica assim. Mais inteira. Mais autêntica. Mais livre.

E chegar aos 44, nesse lugar, não só geográfico, mas existencial, é um privilégio enorme. Cheguei longe e, ao mesmo tempo, sinto que está só começando.

Há alguns meses, minha mãe me perguntou o que eu faria se ela ganhasse na Mega-Sena e me desse alguns milhões. Eu pensei um pouco e respondi: “Faria exatamente o que estou fazendo agora.” Talvez com uma casa mais confortável, claro, mas continuaria essa vida. O mestrado, a vida na Europa…

Naquele instante, percebi: eu estava vivendo meu sonho.

Aos 44, realizei muitos dos desejos que eu tinha quando ainda era criança, mesmo que, naquela época eu muito provavelmente não tivesse noção da dimensão desses sonhos.

Foram muitos aprendizados e também muitas colheitas. E eu nunca deixei de plantar. E acho que esse é um dos grandes ensinamentos da minha família: pra colher, é preciso plantar. Não tem outro jeito.

Muita gente me pergunta como eu fiz tudo isso acontecer:
como me desmobilizei no Brasil;
como me organizei financeiramente, mentalmente, emocionalmente;
como foi redescobrir meu corpo com o Taekwondo;
como a terapia me sustentou;
como encontrei esse mestrado e vivi essa mobilidade intensa;
como é acordar todos os dias falando outra língua;
como é viver a vida sexual depois dos 40;
e enfrentar a perimenopausa.

Essas perguntas me inspiraram a criar uma espécie de série.
Uma mistura de áudios e textos, porque a escrita ainda é o meu jeito favorito de me manifestar no mundo, mas dessa vez eu faço questão de dar o meu tom à leitura.

Quero compartilhar um pouco desse percurso. Não para incentivar mudanças desnecessárias, mas pra inspirar quem sente vontade de se aventurar. Para lembrar que os sonhos não têm prazo de validade.

Obrigada pelo carinho, pelo afeto, pelo abraço, pela escuta, pelo vínculo que permanece mesmo à distância. Às vezes falho em manter as conversas, a vida atropela, faz parte.

Obrigada.
De verdade.
Bora 44.

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