Daily Archives: 8 de março de 2026

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Confiar no invisível: a arte de prestar atenção

É muito difícil o exercício de abraçar o não saber. Viver dois anos na incerteza de onde eu estaria amanhã foi, talvez, um dos maiores desafios da minha vida. E, ainda assim, reconheço o meu privilégio, o de ter construído, com tempo e trabalho, um patrimônio que me permitiu arriscar. Mergulhar em águas escuras requer coragem, mas também algum oxigênio de segurança.

Mas o que me sustentou, no fundo, foi a conexão com o universo. Aprendi a respeitar o ritmo das coisas, a ler as mensagens que o universo envia em voz baixa.

Vem de lá, daquele “não” que recebi da bolsa na Suécia, e que, meses depois, se revelou um “sim” disfarçado, quando o mundo inteiro parou em pandemia. Foi um sinal.
Um daqueles que só se compreende olhando pelo retrovisor.

Julia Cameron escreve, em O Caminho do Artista, que “a sobrevivência depende da sanidade, e a sanidade consiste em prestar atenção. A qualidade da vida é sempre proporcional à sua capacidade para o deleite. A capacidade de se deleitar é o dom de prestar atenção”.

Se o universo fala comigo, é porque eu escuto. Não é dom. É prestar atenção.

Não acredito que alguns sejam escolhidos para sentir e outros não. Acredito que todos podemos, desde que estejamos dispostos a ouvir o que não faz barulho.

Para mim, não existem coincidências, existem sinais. Não existem acasos, existem oportunidades. E estar atenta é o que me permite ver quando o invisível se move.

Estar conectada é buscar esses lugares de energia, que para mim sempre foram as margens da água: mar, lago, rio, o que houver.

É ali que eu me encontro, que eu limpo o excesso, que eu volto a ouvir.

Carrego também meus pequenos rituais: às vezes, escrevo o que preciso soltar e jogo no fogo. Outras vezes, planto palavras debaixo da terra. Já joguei bilhetes ao mar. Queimou, afundou, dissolveu, mas sempre retornou, de algum modo.

Alguns chamariam de bruxaria. Talvez seja. Mas para mim é só conversa com o universo, um jeito de dar forma à fé, de manter o diálogo aberto entre o visível e o que pulsa por trás dele.

O que importa é que eu nunca deixei de prestar atenção. Aos sinais, aos sentimentos, aos caminhos.

Porque o universo não grita, ele sussurra.

E eu aprendi a escutar.

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