Organização financeira: quanto custa a liberdade

Se estruturar financeiramente para um movimento como esse não é apenas montar uma planilha. É escolher, com todas as consequências. É colocar o dinheiro a serviço da vida.

Para sair do Brasil, antes de mais nada, eu precisei reduzir meus custos. O primeiro passo foi o apartamento. Eu não queria vender porque ainda não sabia se voltaria. Voltar em dois meses? Voltar no meio? Ficar de vez? Tudo era possível.

Tive a sorte de ter uma amiga que topou morar no meu apartamento. Do jeito que estava. Com as minhas coisas. Ela cuidou da casa melhor do que eu. Estratégia financeira afetiva na prática. E aqui entra a importância das relações de novo.

Mantive apenas o celular, porque o trabalho me encontra pelo WhatsApp, e o plano de saúde, porque ainda confio mais em fazer check-up no Brasil do que na burocracia fria do seguro internacional.

Depois de muito planejamento, estabeleci um número: 210 mil reais seria o teto para viver dois anos fora. Eu sei, o valor assusta. Quem tem 210 mil reais para apostar assim, no escuro?

Mas a dura realidade é que, devido ao câmbio, precisamos dividir o patrimônio todo por 6,5. 210 mil reais são 32 mil euros. Dividido por 24 meses, dá 1,3 mil euros por mês. Tira daí uns 800 para moradia, sobra 500 euros para comer, viver, me mover, existir, viajar e morar no próprio corpo com dignidade.

Ou seja: não dá! E, mesmo assim, eu fui.

Depois dos 40, descobri que casa não é luxo, é base emocional. Eu abro mão de muita coisa, mas não abro mão de morar bem. Dividir quarto? Dormir mal? Viver desconfortável? Não mais.

Não em nome de uma planilha.

Então aceitei: meu maior gasto seria sempre a casa. Em troca, eu me organizei com todo o resto.

Criei uma planilha que daria orgulho a qualquer virginiano. Alimentação, transporte, esporte, lazer, viagem, imprevistos, burocracia (vistos, documentos). Previsto x realizado. Tudo anotado. Tudo decidido diariamente. Hoje sushi, amanhã macarrão com ovo. Não é sacrifício. É consciência.

No meio do caminho, percebi algo importante: dava para estudar E trabalhar. Isso mudou tudo. Me deu mais liberdade.

Claro, eu não conseguia trabalhar tanto quanto antes e precisava converter tudo para euros. Ainda assim, foi uma ajuda e tanto.

Também aprendi alguns hacks para viajar barato que são fundamentais.

Em 2006, passei dois meses na Europa graças ao Couchsurfing, me hospedando com pessoas que abriam suas casas em troca de intercâmbio cultural. Foi lindo, foi mágico e… foi o que me permitiu ficar todo esse tempo lá.

Agora conheci o Trusted House Sitters, uma plataforma que permite que donos de pets ofereçam suas casas para petsitters dispostos a cuidar dos seus bichinhos em determinadas datas. Fiz alguns em Viena mesmo, para ganhar reputação, e logo pude explorar outros lugares, como Graz e Zurique, em troca de passar dias na companhia de peludos fofinhos.

Não tem relação mais ganha-ganha do que essa para quem é apaixonada por animais como eu.

Também entendi que era preciso avaliar

as oportunidades com carinho. Um amigo me convidou para ir a Luxemburgo. A passagem era cara, mas quando teria essa oportunidade de novo? Fui! Valeu cada centavo.

Dinheiro virou dança, não prisão. E é importante dizer isso com todas as letras, porque transformar recurso em movimento, especialmente depois dos 40, é chacoalhar o status quo. Falar de números é arrancar o romantismo da equação e devolver à liberdade o que ela realmente é: uma decisão sustentada.

E é por isso que eu escolho falar de valores com clareza. Porque mulheres não foram ensinadas a fazer isso. E quase nunca se ensina que investir em si mesma também é ampliar patrimônio.

No total, dois anos de mestrado, estadias, viagens e vida plena custaram 350 mil reais. Ou seja, uma média aí de 2,2 mil euros por mês, o que não é nada mal para quem tava morando bem e se permitindo alguns luxos, né?

Mas melhora, porque aqui está a parte que quase ninguém conta: com trabalho, com o apartamento vendido e rendendo, com o dinheiro girando, o que realmente saiu do meu caixa foi cerca de 50 mil reais.

Ou seja, 7,7 mil euros para dois anos. 320 euros por mês.
Isso não é mágica. É estratégia financeira com afeto, coragem e verdade. É tirar o patrimônio da gaveta para colocá-lo em movimento, não em tijolo.

Se valeu?
Eu pagaria tudo de novo. Com juros de alegria, liberdade e muitas possibilidades.

Para quem quiser fazer parte do TrustedHouseSitters, usa o meu link que tem alguns benefícios: https://bit.ly/thsBeta

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