Terapia: o pilar invisível

Desde muito tempo, eu descobri a importância da terapia na minha vida. Já fiz terapias de estilos diferentes e todas, em cada fase, foram importantes do jeito que precisavam ser.

Durante a pandemia, eu me vi trancada em casa, sedentária, trabalhando demais. Era um privilégio poder trabalhar de forma remota, claro, mas eu estava ali, isolada, dentro de uma bolha.

E eu nunca fui boa com espaços pequenos. Acho que tenho até um pouco de claustrofobia, não só física, mas emocional e intelectual. Eu não gosto de ser pressionada. Não gosto que tentem me fazer caber em lugares pequenos.

Eu não sou pequena. Eu sou grande.
E preciso de espaço para respirar.

Foi nesse momento que eu pedi indicação e recomecei a terapia, com uma nova profissional, num novo processo.

Às vezes eu pensava (e às vezes ainda penso, confesso!): “Meus problemas parecem tão pequenos… será que faz sentido eu estar aqui?”

A gente tem essa mania de comparar, achar que o nosso sofrimento é menor, ou maior, que o do outro. Mas o importante não é o tamanho do problema, e sim o tamanho que ele ocupa dentro da gente.

Fazer terapia, para mim, é muito mais do que resolver questões. É ter um pilar de força, de estrutura e de segurança. É um espaço para organizar os pensamentos, para discutir comigo mesma as conclusões que tiro, para me ouvir de verdade.

Eu me autoanaliso o tempo todo, às vezes demais. Mas aprendi que, mesmo com toda a bagagem, sozinha a gente se perde nas próprias narrativas. A terapia me ajuda a encontrar o fio de volta.

Foi com a terapia que eu me reconstruí e alcancei muitos dos meus objetivos. Foi depois dela que comecei o Taekwondo. Foi com a terapia que eu consegui me estruturar para deixar um trabalho onde estive por 13 anos, uma fase intensa, cheia de desafios e aprendizados, pela qual sou profundamente grata. Foi com a terapia que aprendi a lidar com rejeição, como quando não passei no mestrado na Suécia, mesmo tendo certeza de que aquela bolsa seria minha. E foi também através da terapia que eu encontrei forças para tentar de novo, e chegar ao mestrado que concluí em agosto.

Com o tempo, o intervalo entre as sessões mudou, do semanal pro quinzenal, às vezes até mais espaçado. Mas nunca foi um problema, porque eu sempre soube que ela estava ali.

E mesmo nas semanas em que parecia que “nada aconteceu”, bastava eu escrever os tópicos para sessão para perceber tudo o que tinha vivido. Percebi o quanto eu já conseguia lidar com situações que antes seriam dolorosas ou traumáticas, de forma leve e tranquila. Isso, por si só, já é uma grande conquista.

Uma das coisas que eu mais valorizo na terapia é a escuta. Durante aquela uma hora, a atenção é toda minha. Não é necessariamente um diálogo, é um espaço para eu falar sobre o que quiser, do jeito que quiser, sem filtros.

Claro, as máscaras vão caindo aos poucos. Mas é um processo. Bonito, de confiança, de abertura, de verdade.

Eu quis falar sobre isso logo no início dessa série porque a gente vive uma epidemia de saúde mental. E terapia não é luxo, nem emergência. É cuidado. Deveria ser tão básico quanto tomar café da manhã.

Estar onde eu estou hoje, feliz e realizada, mas também cheia de dúvidas e esperanças, só é possível porque eu tive esse apoio. Esse tempo para reorganizar o que está all over the place dentro da cabeça e da alma.

A terapia abre os olhos, não pro mundo, mas para dentro. Para quem somos. Para aceitar o que somos, como somos. Para lidar melhor com os outros. E, às vezes, simplesmente para desabafar.

Eu sou profundamente grata. E me recuso a receber alta.
Terapia é um ato de amor. E autoconhecimento é liberdade.

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